Nós.

05/11/2019

Foto: Tumblr
   “Era quase meia-noite quando meu telefone tocou, era você dizendo que tava na minha porta, me esperando pra embarcar em mais uma daquelas suas ideias malucas, que apareciam repentinamente e que eu adorava protagonizar. Eu já deveria estar dormindo, mas sem pensar muito logo troquei o pijama pelo short jeans e camiseta. Desci as escadas com tanta pressa e num piscar de olhos lá estava você com as mãos no bolso, encostado na porta do carro, me olhando e sorrindo com aquela cara de que iríamos aprontar.

   No carro, colocamos a nossa trilha sonora de sempre, comigo de DJ, porque seu pendrive é eclético demais para embalar nossas aventuras. No caminho pra algum lugar a gente engatava uma conversa atrás da outra, vários assuntos compilados numa vibe só. A gente nunca sabe onde vai parar com esse nosso rolê, é sempre em algum lugar diferente no centro da cidade, bem distante da sua casa e da minha.

    Eu não sei como você soube desse lugar, mas era incrível. Um estacionamento a céu aberto, onde dava pra ver tudo dali. E naquele instante era só a noite, você e eu a contemplar aquela vista da cidade de cima, com as luzes e a calmaria, um momento no intermediário do tempo da cidade que quase ninguém conhecia. Eu queria saber onde esse lugar ficava escondido quando o sol nascia, porque nunca tinha reparado no quanto ele poderia ser especial por algumas horas. Entre risadas e várias palhaçadas suas e minhas eu notei uma coisa diferente em você. Hoje, excepcionalmente, os teus olhos encontraram os meus de um jeito novo. Nós sempre fomos amigos e tu sempre fostes carinhoso com todos, por isso, eu não esperava que acontecesse algo a mais entre a gente, porque eu achava que essa era só minha fanfic e tinha ‘ela’. Mas naquela hora sua cabeça não tava mais em nem um outro lugar a não ser ali, não havia mais ninguém, nem físico e nem subjetivamente. Eu tive certeza disso em meio a mais um dos meus monólogos performáticos, quando você se afastou do capô do carro, segurou de leve no meu pulso e me puxou pra frente. Me guiando devagar pra si, encostando meu corpo todo no seu e entrelaçando os braços ao redor de mim feito uma algema. Eu senti meu corpo aquecer. Já tinha te abraçado centenas de vezes, mas aquele foi como se fosse o primeiro. Eu podia sentir tua respiração na minha e o teu olhar refletia as luzes da cidade.

Me desculpa por isso.

   Você disse olhando tão fundo dentro dos meus olhos que eu acho que ouvi meu coração batendo.

   Eu não sei quando isso aconteceu, mas sinceramente, foi inevitável ceder ao que rola nesse universo paralelo que inventamos enquanto todo mundo dorme. Eu não tive a chance de responder, nem fôlego e nem coragem. No final eu entendi, que o teu pedido de desculpas foi por ter ultrapassado aquela linha que a gente chama de ‘caminho sem volta’, porque depois desse dia não trocamos mais só palavras”.


continua.
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