Eu mudei

26/03/2021



É inacreditável imaginar que hoje eu vivo exatamente a vida que eu sempre sonhei. 
Eu sei que sou muito jovem pra dizer que já tenho tudo, não quero que isso soe presunçoso, mas a forma como me sinto é como se eu já tivesse. Talvez isso aconteça porque eu tenha desejos simples e meu contentamento se satisfaça com o que pra muitos é pouco. 

Eu não sei pra quem isso é pouco, mas pra mim, é muita coisa! É um mundo todo.

Há três anos cheguei a Belém sem ter nada, sem ter nem um plano, ou uma proposta. Eu só vim. Eu dizia que eu sabia que estava fazendo, mas não era verdade, a minha única certeza é que eu tinha que chegar a algum lugar.

Muitas coisas aconteceram desde então, agarrei quase todas as oportunidades que apareceram, aprendi com isso a ser um pouco mais seletiva; aprendi todas aquelas coisas que a minha mãe tentou me ensinar, inclusive arroz. Me surpreendi imensamente com as pessoas, infelizmente não foi apenas de um jeito bom, mas felizmente, as pessoas que conheci em meio a esse processo, compõe o ciclo fantástico de pessoas que tenho ao meu redor atualmente e eu não tenho palavras – mesmo sendo muito falante.

Exatamente agora eu estou na minha casa, escrevendo este texto no meu sofá. Era aqui que eu estava há uns dez minutos atrás observando tudo com carinho, quando me veio o desejo de escrever e compartilhar esse sentimento.

Em muitos momentos queria poder fazer uma viagem no tempo, encontrar a menina que eu era e dizer pra ela que nós conseguimos, que tudo valeu a pena. Cada coisa aqui tem uma história, teve um esforço, foi uma realização progressiva. Pra todo lugar que eu olho, vejo um pouco de mim.

Eu mudei. Mudei de endereço e de muitas outras coisas.

Acho que de todas as mudanças que já tive, essa fase é a minha favorita até agora; e essa foto aí em que eu nem apareço representa o meu novo universo.

Um horizonte singular

06/02/2021

 

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Há horas esperando por uma mensagem que não chega e começando a cogitar a possibilidade de não me surpreender caso ela não venha. Isso me faz pensar em por que o amor é tão difícil nos dias de hoje.

Diariamente eu lido com histórias de casais de várias idades, mas principalmente de longa data com um enredo incrível de como chegaram até ali. Em muitas dessas conversas sinto meu coração pulsar, empolgado e comprimido, cheio de emoção em ver que existem pessoas que encontraram o amor da vida e não desperdiçaram a oportunidade.

Uma das coisas mais graciosas que há é ouvir maridos falando sobre suas esposas na frente delas, as trocas de declarações mútua, a alegria que a doença não roubou. É tão bonito que chego a me perguntar se um dia, talvez, viverei algo desse tipo. Mesmo sendo tão jovem pra pensar assim, eu não sei.

Eu acho que eu tô desacreditando no amor – não totalmente, mas – acho que tô desacreditando no amor pra mim, passando a amadurecer mais e mais a ideia de que focar na minha carreira e num futuro só eu, é o mais possível pra mim.

Dentro do meu coração ainda existem planos a dois, mas quando penso neles, tenho a sensação de que é como nos filmes que eu assisto, eu vejo o cenário, aprecio, mas não é real.

É curioso, até paradoxal, ter a sensação que me daria bem como par e ao mesmo tempo, parecer que não combino com ninguém. Talvez, realmente eu não tenha uma metade da laranja, talvez seja só mesmo eu & eu desbravando esse mundão, fazendo acontecer os sonhos que eu sempre quis, conhecendo os lugares, vivendo as experiências. Afinal, quando tudo aperta e o caminho fica denso, sou só eu ali. Eu e tudo que eu conquistei. Nesse momento o que me conforta é olhar em volta e ver tudo que construí sozinha pra mim e percebo que o amor que eu tenho pra me dar sempre será o maior e melhor que eu poderia receber.



Já passou da hora de eu voltar.

16/11/2020

 


Veja só, depois de todo esse período as ocasiões da vida nos trouxeram até aqui. Que louco está sendo dois mil e vinte. É de parar um pouco e pensar com calma em como entramos nesse ano e como estamos prestes a sair dele.


Todas as fases que a pandemia condicionou a nossa sociedade, passei por todos. A sensação do irreal, o medo, a incerteza, a negação, a irritação, o desgaste psicológico, a saudade, o covid… Todos esses meses de dois mil e vinte foram como um salto no tempo, de fevereiro até agora. É como se tivéssemos aberto uma fenda no calendário e estivéssemos vivendo nove meses dentro dela. Será que estarmos perto de dar a luz a nossa vida normal?


Eu desacredito em um “novo normal”. Nunca vai entrar na minha cabeça que essa é a nossa realidade de agora em diante (até sei lá quando); por isso, parece uma fenda. Nunca vai ser normal nós não podermos conviver em sociedade normalmente desbravando e gozando de todas as nossas possibilidades.


(desculpe se isso for um equívoco).


Muitas pessoas estão excessivamente apáticas, tendo que se equilibrar na corda-bamba entre o cumprimento dos cuidados no combate ao vírus e a saúde mental. Afinal, se não adoecermos do peito, adoecemos da alma. Buscamos e nos agarramos a qualquer pequena oportunidade que temos de nos sentir fora e invulnerados desse período, como se por alguns momentos ele não existisse.


Em contrapartida, obviamente, em todos esses meses aconteceram muitas, muitas coisas. Aulas em EAD, a sensação de rendimento caindo, novas e surpreendentes boas oportunidades, a necessidade do desenvolvimento próprio, o crescimento pessoal, a ultrapassagem de limites nunca antes imaginado. O mundo não deixou de se movimentar e as pessoas acompanharam isso, da melhor maneira possível – diga-se de passagem. Isso mostra o quanto somos fortes, porque ainda que em momentos de escacez e catástrofes, movimentamos a sociedade de forma determinada e isso é muito difícil.


Em meio a pandemia eu me reaproximei de pessoas pela internet, me afastei de outras, eu mudei de cargo no trabalho, eu me apaixonei e me desapaixonei, eu passei a morar só, eu construi diariamente meu castelo particular, eu pirei, eu voltei ao normal, eu tive medo, tive afeto, tive dores no peito (do pulmão e no coração). Eu me conheci melhor e estou me conhecendo de um jeito novo. Senti muita falta dos meus espaços, aqui na internet, fora dela e dentro mim.


Agora é hora de se buscar, com ou sem isolamento, dentro e fora de casa, nos livros, nos interesses, nos trabalhos, nas pessoas boas.


Essa é uma breve reflexão sobre um tico do que foram esses últimos meses e o ínicio – mais uma vez – de um novo ciclo meu aqui.


Beijos.

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