A gente precisa se olhar

17/08/2021

imagem: blog.alboompro.com

A gente precisa literalmente se olhar. Parar em frente ao espelho e se admirar, observar o que gostamos em nós mesmos o quanto o cabelo é bonito do jeito que é, o quanto nossos olhos falam, sorrir pro próprio reflexo. Eu não estou falando isso de uma forma romântica, eu estou falando isso de uma forma real.

Nós, por algum motivo, às vezes, esquecemos como estamos, como somos. A comparação leva a isso, a uma distorção da nossa própria imagem, baixa nossa autoestima, nossa autovalorização e também a nossa autoconfiança. A gente simplesmente não consegue alcançar toda nossa potência porque não fazemos ideia da postura que temos, porque estamos totalmente voltamos para a imagem do outro.

Isso que estou falando agora é parte de um processo grande, de micro tarefas que precisamos fazer para nos autoconhecer e nos auto afirmar e isso é importante. Não é vaidade, é saúde. Nossa imagem importa muito, não só pro mundo, mas principalmente, para nós mesmos e isso não é algo fútil de se falar.

É muito legal se olhar e se enxergar. Não se sentir perdido. E a nossa imagem faz parte sim do processo de autoconhecimento, para que tenhamos a tranquilidade e o entusiasmo de todo os dias acordar e ir em busca de coisas maiores, de sonhos, de um novo emprego, um amor, ou uma vida nova.

Você importa, você tem valor, você não é menos que ninguém. Você tem qualidade, talentos e suas referências e personalidade são tão interessantes quanto a de outras pessoas igualmente interessantes e diferentes de você. Acontece que a gente eleva muito a singularidade das outras pessoas e olha para a nossa singularidade como se fosse algo inadequado e não interessante, como de fato é.

O tempo que a gente gasta se comparando, é o tempo que gastamos investindo em nós mesmos. Você reflete pro mundo a imagem que você tem de si mesmo.

Como você quer ser visto?


Dos 16 aos 26: no que eu mudei?

21/06/2021


Todo mundo já tem uma visão pronta de você e do seu futuro e geralmente essas informações vem de pessoas que amamos e confiamos. A gente tem mania de achar que todo mundo sabe da gente melhor que nós mesmos. Eu já pensei assim, eu já passei dessa fase, mas até hoje colho frutos desses medos que eu tinha naquele período lá atrás. Onde eu só fazia algo depois de perguntar pra todo mundo se era ok.

Quando eu tinha dezesseis eu estava no auge da minha adolescência, amigos, colégio, cursinho, grupo da igreja e no final do ano, faculdade. Nesse período eu tinha vários conflitos internos que de alguma forma eu mesma encontrava uma saída no final. Lembro que nessa idade houve um período em que a minha maior dificuldade era não conseguir autorização pra colocar o piercing que eu queria. Nessa época eu também queria fazer outras mil coisas, sonhava acordada todos os dias com a vida que eu queria fora da minha cidade na época. Passar na federal de lá trouxe muita alegria pra minha família, mas pra mim, naquela época, era uma sentença de mais cinco anos presa ali, sem a oportunidade de fazer aquilo que eu gostaria. Foi aí que a coisa desandou.

Mais e mais vezes eu me via fazendo coisas que eu não gostava. Eu não via graça em nada das coisas que eu fazia, a não ser criar conteúdo pro blog, escrever, fotografar… Mas também essa época não foi essa tortura toda, eu me divertia em outros momentos e no final, fiquei bem feliz com meu diploma na mão e com o tanto de conhecimento que eu adquiri.

Depois de formada consegui mudar de cidade, olha que maravilha! Eu desbravei esse mundão, consegui fincar meus pezinhos numa morada aconchegante, me apaixonei pela minha formação e iniciei uma carreira dentro dela que, sem dúvida, eu nasci pra isso.
Hoje vivo exatamente a vida que eu sonhava quando tinha 16. Isso é incrível! É incrível que por mais que digam que não, se tornarão reais em algum momento todas as certezas que moram dentro do seu coração. Eu adoro ficar pensando nisso, nessa menina que eu era e em quem eu me tornei depois de todo esse tempo, porque a Nayandra do passado pensava muito na Nayandra do futuro.

Eu confesso que em algumas outras coisas eu não mudei muito não, tipo, meu senso de humor – ainda bem! E me comparando comigo mesma, me sinto orgulhosa de todas as mudanças que tive. Amava quem eu era nessa idade e já me julguei muito por ser diferente do que eu já fui um dia, mas mais uma vez mudei e aprendi a olhar isso de outro jeito. E por mais que eu ame a Nayzinha de 16, ela ficou guardadinha no tempo dela.

Sinto orgulho de quem me tornei porque passei a me reconhecer, aceitar minhas mudanças e minha maturação. Algumas coisas e pessoas ficaram para trás, mas faz parte do meu processo e eu não posso mais me parar. Outras coisas que continuam igual, como a minha paixão pela escrita, eu resolvi me dedicar mais. Essa é uma coisa que a eu do passado e a eu do presente amam com todo o coração.

Quando paro pra pensar que já se passaram dez anos que eu escrevo nessa plataforma eu mesma fico sem acreditar. É inevitável pensar no quanto de coisa eu poderia ter conquistado se eu tivesse persistido um pouquinho mais de lá pra cá. Eu não me arrependo das minhas escolhas. O que eu me arrependo é de não ter me dedicado mais o meu tempo de sobra nessas coisinhas que faziam sentido só pra mim.

O sonho da minha vida continua sendo escrever e ser lida.

Das coisas que ficaram pra trás

31/05/2021

Fonte: We Heart It


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Hoje me disseram que não devemos medir as pessoas através do nosso próprio termômetro. Realmente, não parece certo. Só que por mais que queira acreditar nisso, é nítido que o que eu vejo em você não é um pré-julgamento, desconfiança minha ou traumas passados. Afinal, não importa o quanto você se esforce pra merecer algo, quando tudo simplesmente te aponta que você não é pra estar ali, uma hora sua ficha cai. 


Eventualmente, mesmo após longos estados de negação, você dá de cara com a porta. Aquela porta imaginaria que te mostra que você tem que sair. Eu não queria ir. 


Acho que de todas as outras vezes, essa era a que eu estava mais disposta. Se eu pudesse te dizer todas as coisas que eu vejo em você... Mas você não gosta quando eu falo muito. 


Eu não quero estar aqui pra ver quando outra pessoa chegar e você simplesmente se afastar aos poucos, sem precisar dar uma explicação porque ‘não temos nada’. Quem disse que não temos? 


Ou tínhamos. Não importa mais. 


A verdade que eu to lutando pra engolir é a de que pra você, mais uma vez, não vai fazer diferença. Se eu for ou se eu ficar, você seguirá sua rotina normalmente, porque eu não faço parte dela. Você conseguiu ter tudo de mim sem me incluir em nada. É como se eu fosse 'dois mil e vinte'; existe, mas não aconteceu. 


Eu, enfim, me dou por vencida. Dessa vez sem brigas, sem queixas ou xingamentos. Por mais que eu tenha muito pra falar, eu só vou dizer o suficiente, porque eu sei que esse é o jeito que você lida com as coisas e até porque não faria muita diferença mesmo. Seria só um enorme desgaste de energia. 


E tudo isso posso resumir em apenas uma resposta. Sabe por que você nunca sente que me perdeu? porque pra você, eu nunca fui sua." 

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