Ninguém como você

23/03/2026

 


Já parou pra pensar na unicidade da tua essência?
Podemos até ter semelhanças, admirar alguém, sentir que gostaríamos de ser um pouco mais parecidos com tal pessoa, mas quando pensamos na junção das nossas caraterísticas que transforma a subjetividade em Eu, quantas pessoas você conhecer que são assim? 

Nunca existiu e nem existirá alguém como você. 

Buscar sabedoria também é buscar autoconhecimento. E esse é o único conhecimento que não só supre a alma, mas que preenche, que te faz sentir amor por quem tu és. Tudo isso me leva a pensar que o nosso maior super poder é realmente ser quem nós somos. 

Muitas vezes caímos na teia da ansiedade por estarmos com os olhos voltados para fora, quando o que mais precisamos é olhar com gentileza para dentro e reconhecer que tudo que precisamos já vive em nós, só precisamos alcançá-lo.

Você se reconhece como uma pessoa caridosa, acolhedora, boa ouvinte? Uma pessoa presente, leal, comprometida, curiosa, divertida... O que é aquilo tu és e sabe? A partir do momento que você conseguir se enxergar, você vai se sentir mais seguro sobre si mesmo(a), sobre sua posição no mundo, sobre as suas possibilidades e sonhos. Conhecer as suas sombras também faz parte disso, porque ninguém deve saber lidar contigo melhor do que tu. E reconhecer as próprias fragilidades é ter humildade pra aceitar que em algum momento você vai sofrer, mas que a dor não diminui a beleza de ser quem tu és. É sobre você saber quem você é e como (re)agirá com o outro de forma coerente a isso. 

É como a terapia. Terapia nunca é sobre o outro. Terapia é sobre aprender a lidar com nós mesmos para viver no mundo. Se conhecer é reconhecer o que há de mais divino em você, a sua essência. 


Tem pessoas que não se encontram

11/08/2025



Você já se perguntou o motivo de, talvez, não dar certo com alguém? De parecer que o universo não conspira à favor de vocês, seja amizade ou amor.

Entendi que mesmo que estejamos pisando no mesmo planeta, não orbitamos o mesmo universo. Se você parar pra reparar e tentar tirar dos seus olhos o cenário que criou com essa pessoa onde vocês dão certo e são felizes, vai conseguir exergar que, provavelmente, vocês vivam em mundos completamente diferentes. Os ambientes, os gostos, as amizades, a fala... Ainda que você admire essa pessoa não é exatamente o que vocês tem em comum que te faz gostar dela, é a autenticidade dela que você gosta. Não é dela exatamente.

Saiba que isso vale pra você também, porque a gente não faz ideia da forma admirável que as pessoas olham pra gente, mas elas olham. Então, deixe que elas te vejam como uma pessoa que se ama, sem receios, pois, uma das grandes verdades da vida, que muitas vezes a gente não entende, é que as pessoas amam pessoas que se amameu já falei isso aqui uma vez – e essa é uma regra que vale pra todos. Quando alguém se gosta, ensina aos outros a gostarem dela também. Essa é aquela premissa de que você ensina às pessoas como te tratarem, ou seja, quando você vê uma pessoa que se trata com amor, respeito e gentileza, você dá a ela exatamente isso, respeito, gentileza e, às vezes, quer dar amor, porque sabe que ela não aceitaria menos que isso.

Agora quanto aquela pessoa que você queria trazer pra sua vida e não está conseguindo, não force conexões, não tente trazer pessoas para sua vida à força, porque eu garanto pra você que as chances de um problema vir junto dela são enormes e vai acontecer cedo ou tarde. As lições são a poesia do erro, é o que o divino entrega pra gente porque é a única coisa boa que se pode tirar de uma situação ruim. Mas, convenhamos, tem coisas que a gente não precisa passar.

Você vai encontrar essa pessoa diariamente, vai amar o que ela faz nas redes sociais, vai admirar a beleza dela, mas onde você se encaixa no mundo dela e ela no seu? É a isso que você deve se atentar antes de se questionar por que essa pessoa não consegue enxergar o valor que você sabe que tem.

Nos corredores da vida vocês podem até passar ao mesmo tempo, centenas de vezes, mas não vão se esbarrar. Fazer o quê?

Minha vida sem o tédio

28/03/2025


Quando era mais nova e tinha acabado de mudar de cidade, minha vida era relativamente “vazia”. Eu tinha acabado de sair do meu emprego, estava recebendo suporte financeiro do seguro, morando de favor na casa da minha prima. Eu não tinha trabalho, eu ainda não tinha um ciclo social, lugares que gostava de frequentar, eu não conhecia quase nada e não sabia andar sozinha na minha cidade ainda, ou seja, eu não tinha coisas pra fazer. Minha ocupação era sonhar.

Eu queria preencher a minha nova vida. Mas por onde eu ia começar?
Nessa época eu tinha três sonhos: trabalhar com fotografia, criar conteúdo e escrever - falar sobre esses assuntos que eu já falo. E continuo com os mesmos sonhos até hoje. Há sete anos.

Lembro que na época eu tinha muita inspiração para escrever e criar, mas pouca coragem pra sair sozinha e pra fotografar na rua, não conhecia lugares ou tinha companhia, então eu foquei em me estruturar primeiro. Em pouco tempo consegui meu primeiro trabalho, era em uma cafeteria e minha vida realmente parecia um filme. Eu tava muito empolgada vivendo e tentava criar do jeito que dava, mas ainda não era perfeito, e por mais que quisesse, sempre tinha algo que vinha antes dos meus sonhos. 

Logo aluguei meu primeiro apartamento, meu primeiro lar e toda a energia que sobrava além do trabalho, era tentando organizar minha casa. Eu já tinha um ciclo social, já conhecia alguns lugares e a vida foi acontecendo. Eu fui subindo degraus, mudei de emprego, ganhei um pouco melhor, comecei a sair mais, mudei de casa de novo, fui promovida, veio a pandemia, mudei de trabalho e tentei empreender. Nunca parei de escrever, mas a fotografia estava na gaveta já há um tempo e eu não me sentia mais uma criadora de conteúdo. Arranjei um novo empego e tentei conciliar os plantões e o empreendedorismo, nesse meio tempo descobri que amava marketing, quis voltar a fotografar, continuei com as vendas e tudo isso demandava tanto de mim que com o passar do tempo não tinha mais disposição pros meus hobbies, nem mesmo para planejar as coisas que eu tinha vontade de fazer, eu só tinha vontade. E isso me gerou muita ansiedade, porque eu percebi que o que era um sonho pessoal com o passar do tempo se tornou um sonho profissional. Eu queria, literalmente, viver de arte e quero. Só que parecia que eu não era mais a mesma. Eu não conseguia mais refletir, vivia ansiosa e sobrecarregada. Sempre tinha algo atrasado pra fazer.

O sentimento de ver o tempo passando e sentir que não estava avançando em nada era constante, a única coisa constante na verdade, pois, não conseguia me manter frequente em em uma das atividades que eu gostava. A escrita, a criação de conteúdo estratégico nichado, a produção para cada plataforma específica. Eu não me sentia segura para nada. Me vi ali segurando vários pratinhos ao mesmo tempo e me veio o sentimento de que quando eu não tinha todas essas ocupações, eu tinha mais de mim pra dar. Foi quando eu decidi olhar pra minha vida de uma forma nua e crua. O que eu dava conta? Quais eram as minhas prioridades? O que era inegociável pra mim? Eu gostava de tudo, mas o que eu amava fazer? E o que me traria renda o suficiente pra fazer o que eu amava? Em todo esse tempo nem um desses sonhos saiu do meu coração, outras vontades vieram no caminho e eu me perdi no que era sonho e carreira, e percebi que o que faltava para eu me encontrar em meio a tudo isso era a “mente vazia”. Justamente o que eu tinha bem lá no começo. 

Uma mente mais vazia nos possibilita se dedicar na medida certa para cada coisa. Isso me ajudou a não confundir meu hobby com trabalho e que por mais que tudo seja aparentemente monetizável, não preciso monetizar tudo. Eu passava 24h por dia pensando em como poderia trabalhar com todas as coisas que eu gostava, mas não estava me saindo bem em nem uma delas. Depois que eu larguei a pressão de fazer tudo virar profissão na marra, as coisas começaram a acontecer (dentro de mim e fora).

Se você anda se sentindo assim, talvez você precise ressignificar os seus pratinhos, não necessariamente largar algum deles, mas equilibrar eles em alturas diferentes. 

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