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Um fabuloso insight

06/03/2023

 


Dia desses no café da manhã coloquei uma playlist da minha adolescência pra tocar, o nome dela era “nostalgia 2010”. E realmente, foi uma viagem no tempo.

Eu fiquei muito nostálgica lembrando de uma época incrível da minha adolescência, as coisas que eu vivia, que eu fazia, que eu sonhava, em como a minha vida era fácil – e eu sabia disso. Depois eu comecei a recordar das minhas primeiras responsabilidades, dificuldades, das dores... E percebi que eu conseguia olhar pra algumas delas sem nem um tipo de gatilho, como algo que passou; já pra algumas outras, eu precisei de mais alguns dias pra digerir.

Nesse dia eu realmente consegui fazer a imersão que eu tanto precisava. Consegui olhar firme pra cada coisa que ainda parecia mal resolvida e encarar uma por uma, pra engavetar elas de uma vez por todas e conseguir dar atenção ao meu presente, sem a presença do passado nele.

Os últimos dois anos foram os mais intensos emocionalmente desde a minha mudança. Eu gostaria muito de ter escrito um pouco mais aqui, os meus processos provavelmente teriam sido mais leves, mas eu tava tão fora de mim.

O fabuloso insight que me fez chegar até aqui foi juntar tudo isso que eu tava pensando com algo que eu tava sentindo no momento, um fato recente.

Quando soube que uma amiga minha ia embora um processo começou dentro de mim. Eu instantaneamente senti uma pontinha de solidão e um cheiro gigantesco de mudança. É como se ela fosse o último fio que ainda me interligasse com uma parte da minha vida que eu tive que deixar pra trás. Só que claro, ela eu quero levar pra sempre.

Olhar pra ela me trazia algumas lembranças e até saudade de coisas muito boas que vivemos no último ano, mas que também nos fizeram mal por outro lado. Quando uma bomba estourou, nós duas poderíamos ter nos afastado, mas é como se a vida soubesse que nós precisaríamos uma da outra naquele momento. E quando todo mundo decidiu seguir o seu caminho, sem querer, nós duas seguimos numa mesma direção e isso acabou nos aproximando.

Lembrando disso eu comecei a chorar, porque há muito tempo não me sentia assim. Eu via as coisas acontecendo, mas não sentia. Pensar que não teria mais a presença física dela no meu dia a dia, sempre me fazia chorar. Ao mesmo tempo em que eu chorava de uma saudade antecipada, eu ainda sentia certo alívio por estar sentindo.  

Isso me fez enxergar em que fase da vida eu realmente estou.

Hoje em dia eu respiro novos ares, não chega a ser mais fácil, mas com certeza me sinto bem mais saudável. Quando olho pras minhas coisas, pra tudo que eu conquistei, sinto orgulho e afeto. Eu acordo feliz só por ter mais um dia e me sinto tão viva!

Minha vida começou a melhorar desde que eu comecei a olhar verdadeiramente pra mim. Mas não só isso, deixar ir o que tem que ir. Dores, crenças limitantes, medos, desconfortos, ambientes e pessoas. Todas aquelas coisas que eu mais queria que fossem embora e até as que eu relutei pra que não fossem, estavam saindo de mim aos poucos e dando espaço a tantas outras coisas que eu queria agregar.

Depois de pensar sobre todas essas coisas e chegar a essa conclusão, associei cada coisa externa e interna acontecendo e percebi o rumo que a minha vida estava se direcionando. Era um fechamento de ciclo.

 


A gente precisa se olhar

17/08/2021

imagem: blog.alboompro.com

A gente precisa literalmente se olhar. Parar em frente ao espelho e se admirar, observar o que gostamos em nós mesmos o quanto o cabelo é bonito do jeito que é, o quanto nossos olhos falam, sorrir pro próprio reflexo. Eu não estou falando isso de uma forma romântica, eu estou falando isso de uma forma real.

Nós, por algum motivo, às vezes, esquecemos como estamos, como somos. A comparação leva a isso, a uma distorção da nossa própria imagem, baixa nossa autoestima, nossa autovalorização e também a nossa autoconfiança. A gente simplesmente não consegue alcançar toda nossa potência porque não fazemos ideia da postura que temos, porque estamos totalmente voltamos para a imagem do outro.

Isso que estou falando agora é parte de um processo grande, de micro tarefas que precisamos fazer para nos autoconhecer e nos auto afirmar e isso é importante. Não é vaidade, é saúde. Nossa imagem importa muito, não só pro mundo, mas principalmente, para nós mesmos e isso não é algo fútil de se falar.

É muito legal se olhar e se enxergar. Não se sentir perdido. E a nossa imagem faz parte sim do processo de autoconhecimento, para que tenhamos a tranquilidade e o entusiasmo de todo os dias acordar e ir em busca de coisas maiores, de sonhos, de um novo emprego, um amor, ou uma vida nova.

Você importa, você tem valor, você não é menos que ninguém. Você tem qualidade, talentos e suas referências e personalidade são tão interessantes quanto a de outras pessoas igualmente interessantes e diferentes de você. Acontece que a gente eleva muito a singularidade das outras pessoas e olha para a nossa singularidade como se fosse algo inadequado e não interessante, como de fato é.

O tempo que a gente gasta se comparando, é o tempo que gastamos investindo em nós mesmos. Você reflete pro mundo a imagem que você tem de si mesmo.

Como você quer ser visto?


Dos 16 aos 26: no que eu mudei?

21/06/2021


Todo mundo já tem uma visão pronta de você e do seu futuro e geralmente essas informações vem de pessoas que amamos e confiamos. A gente tem mania de achar que todo mundo sabe da gente melhor que nós mesmos. Eu já pensei assim, eu já passei dessa fase, mas até hoje colho frutos desses medos que eu tinha naquele período lá atrás. Onde eu só fazia algo depois de perguntar pra todo mundo se era ok.

Quando eu tinha dezesseis eu estava no auge da minha adolescência, amigos, colégio, cursinho, grupo da igreja e no final do ano, faculdade. Nesse período eu tinha vários conflitos internos que de alguma forma eu mesma encontrava uma saída no final. Lembro que nessa idade houve um período em que a minha maior dificuldade era não conseguir autorização pra colocar o piercing que eu queria. Nessa época eu também queria fazer outras mil coisas, sonhava acordada todos os dias com a vida que eu queria fora da minha cidade na época. Passar na federal de lá trouxe muita alegria pra minha família, mas pra mim, naquela época, era uma sentença de mais cinco anos presa ali, sem a oportunidade de fazer aquilo que eu gostaria. Foi aí que a coisa desandou.

Mais e mais vezes eu me via fazendo coisas que eu não gostava. Eu não via graça em nada das coisas que eu fazia, a não ser criar conteúdo pro blog, escrever, fotografar… Mas também essa época não foi essa tortura toda, eu me divertia em outros momentos e no final, fiquei bem feliz com meu diploma na mão e com o tanto de conhecimento que eu adquiri.

Depois de formada consegui mudar de cidade, olha que maravilha! Eu desbravei esse mundão, consegui fincar meus pezinhos numa morada aconchegante, me apaixonei pela minha formação e iniciei uma carreira dentro dela que, sem dúvida, eu nasci pra isso.
Hoje vivo exatamente a vida que eu sonhava quando tinha 16. Isso é incrível! É incrível que por mais que digam que não, se tornarão reais em algum momento todas as certezas que moram dentro do seu coração. Eu adoro ficar pensando nisso, nessa menina que eu era e em quem eu me tornei depois de todo esse tempo, porque a Nayandra do passado pensava muito na Nayandra do futuro.

Eu confesso que em algumas outras coisas eu não mudei muito não, tipo, meu senso de humor – ainda bem! E me comparando comigo mesma, me sinto orgulhosa de todas as mudanças que tive. Amava quem eu era nessa idade e já me julguei muito por ser diferente do que eu já fui um dia, mas mais uma vez mudei e aprendi a olhar isso de outro jeito. E por mais que eu ame a Nayzinha de 16, ela ficou guardadinha no tempo dela.

Sinto orgulho de quem me tornei porque passei a me reconhecer, aceitar minhas mudanças e minha maturação. Algumas coisas e pessoas ficaram para trás, mas faz parte do meu processo e eu não posso mais me parar. Outras coisas que continuam igual, como a minha paixão pela escrita, eu resolvi me dedicar mais. Essa é uma coisa que a eu do passado e a eu do presente amam com todo o coração.

Quando paro pra pensar que já se passaram dez anos que eu escrevo nessa plataforma eu mesma fico sem acreditar. É inevitável pensar no quanto de coisa eu poderia ter conquistado se eu tivesse persistido um pouquinho mais de lá pra cá. Eu não me arrependo das minhas escolhas. O que eu me arrependo é de não ter me dedicado mais o meu tempo de sobra nessas coisinhas que faziam sentido só pra mim.

O sonho da minha vida continua sendo escrever e ser lida.

Já perdi muito tempo dando hiato de mim

24/05/2021

 


Eu sempre fico reflexiva no meu aniversário, só que por obra de Deus todos os pensamentos acontecem de uma maneira leve, me recordando do que faz sentido e do que tem verdadeiramente valor.

Há dez anos através dessa mesma tela eu escrevia, só que com muito mais medo. Eu não me sentia pronta pra fazer tudo o que eu sonhava em fazer. A tendência seria ir aos poucos e amadurecer mais e mais, mas não foi bem assim que aconteceu.

Eu já me perdi, já fui roubada de mim, já fui ensinada a não me amar, eu passei por vários momentos de desencontros até definitivamente decidir que hoje, mais do que nunca, eu quero lembrar da minha essência e mergulhar nela.

Eu costumava ter um bom relacionamento comigo mesma desde a infância, “quando foi que isso se perdeu?”, eu me perguntava. Em algum momento no final da minha adolescência eu errei a curva e o que eu tinha de mais valioso, que até então eu não sabia o quão era, eu perdi. E quanto mais o tempo passava, mais doloroso se tornavam os baques. É assim quando a gente é criança também né. A gente chora logo a gente esquece. Na vida adulta não. Na vida adulta nós estamos quase sempre sob pressão necessitando dar alguma resposta, de preferência correta, firme e que demonstre certo impacto. Isso pesa.

Tudo isso me levou pra muito longe. Longe das pessoas e pior, longe de mim.

Aos poucos parei de postar, de fotografar, de fazer todas as coisas que eu amo não por não sentir vontade, mas pelo medo de que as pessoas pudessem não gostar. Antes jovem demais, depois com aquela sensação de que ‘se eu tivesse começado mais cedo seria melhor’. Aos poucos fui me sentindo cada vez mais ansiosa e encontrando cada vez mais motivos para me distanciar. Todo mundo parecia super evoluído e pronto pra tudo. Eu sentia como se eu ainda estivesse em um processo, menor... Tem horas que a gente esquece que todo mundo tá caminhando também. Eu tinha muito receio em me mostrar. Só que a gente não tem controle sobre o que as pessoas vão pensar ao nosso respeito.

De tanto pensar, uma chavinha virou e eu lembrei o que realmente tem valor, que o melhor da vida nada mais é do que prazer e partilha. Graças a Deus eu sou muito abençoada em amar tudo que existe na minha.

A gente se sente inseguro em relação a muitas coisas, sem necessidade, porque daqui a alguns anos nada disso vai importar. Ser você mesma nunca vai ser um fracasso.

Agora tô tentando recuperar esse relacionamento de volta e vi que vou precisar dar tudo de mim. Peço desculpas a mim por todas as vezes que eu falhei comigo. Eu sei que poderia ter ido muito mais longe se tivesse persistido um pouquinho mais em alguns momentos, porque todas as vezes que eu me escolhi, nunca deu errado. Mas agora isso não importa, afinal, essas mesmas escolhas me trouxeram até aqui e daqui eu posso começar uma nova história.

Dos 16 aos 26 muita coisa aconteceu e muita coisa mudou dentro de mim, obviamente, mas por incrível que pareça os sonhos continuam os mesmos e sabe o que isso quer dizer? Que eles são reais! Por sorte, agora eu tô bem menos preocupada em seguir certos padrões e muito mais interessada em conhecer quem é a Nayandra e apresentar ela pra vocês.

A vida em alguns momentos não é fácil, mas ela sempre é uma dádiva.



Eu mudei

26/03/2021



É inacreditável imaginar que hoje eu vivo exatamente a vida que eu sempre sonhei. 
Eu sei que sou muito jovem pra dizer que já tenho tudo, não quero que isso soe presunçoso, mas a forma como me sinto é como se eu já tivesse. Talvez isso aconteça porque eu tenha desejos simples e meu contentamento se satisfaça com o que pra muitos é pouco. 

Eu não sei pra quem isso é pouco, mas pra mim, é muita coisa! É um mundo todo.

Há três anos cheguei a Belém sem ter nada, sem ter nem um plano, ou uma proposta. Eu só vim. Eu dizia que eu sabia que estava fazendo, mas não era verdade, a minha única certeza é que eu tinha que chegar a algum lugar.

Muitas coisas aconteceram desde então, agarrei quase todas as oportunidades que apareceram, aprendi com isso a ser um pouco mais seletiva; aprendi todas aquelas coisas que a minha mãe tentou me ensinar, inclusive arroz. Me surpreendi imensamente com as pessoas, infelizmente não foi apenas de um jeito bom, mas felizmente, as pessoas que conheci em meio a esse processo, compõe o ciclo fantástico de pessoas que tenho ao meu redor atualmente e eu não tenho palavras – mesmo sendo muito falante.

Exatamente agora eu estou na minha casa, escrevendo este texto no meu sofá. Era aqui que eu estava há uns dez minutos atrás observando tudo com carinho, quando me veio o desejo de escrever e compartilhar esse sentimento.

Em muitos momentos queria poder fazer uma viagem no tempo, encontrar a menina que eu era e dizer pra ela que nós conseguimos, que tudo valeu a pena. Cada coisa aqui tem uma história, teve um esforço, foi uma realização progressiva. Pra todo lugar que eu olho, vejo um pouco de mim.

Eu mudei. Mudei de endereço e de muitas outras coisas.

Acho que de todas as mudanças que já tive, essa fase é a minha favorita até agora; e essa foto aí em que eu nem apareço representa o meu novo universo.

Um horizonte singular

06/02/2021

 

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Há horas esperando por uma mensagem que não chega e começando a cogitar a possibilidade de não me surpreender caso ela não venha. Isso me faz pensar em por que o amor é tão difícil nos dias de hoje.

Diariamente eu lido com histórias de casais de várias idades, mas principalmente de longa data com um enredo incrível de como chegaram até ali. Em muitas dessas conversas sinto meu coração pulsar, empolgado e comprimido, cheio de emoção em ver que existem pessoas que encontraram o amor da vida e não desperdiçaram a oportunidade.

Uma das coisas mais graciosas que há é ouvir maridos falando sobre suas esposas na frente delas, as trocas de declarações mútua, a alegria que a doença não roubou. É tão bonito que chego a me perguntar se um dia, talvez, viverei algo desse tipo. Mesmo sendo tão jovem pra pensar assim, eu não sei.

Eu acho que eu tô desacreditando no amor – não totalmente, mas – acho que tô desacreditando no amor pra mim, passando a amadurecer mais e mais a ideia de que focar na minha carreira e num futuro só eu, é o mais possível pra mim.

Dentro do meu coração ainda existem planos a dois, mas quando penso neles, tenho a sensação de que é como nos filmes que eu assisto, eu vejo o cenário, aprecio, mas não é real.

É curioso, até paradoxal, ter a sensação que me daria bem como par e ao mesmo tempo, parecer que não combino com ninguém. Talvez, realmente eu não tenha uma metade da laranja, talvez seja só mesmo eu & eu desbravando esse mundão, fazendo acontecer os sonhos que eu sempre quis, conhecendo os lugares, vivendo as experiências. Afinal, quando tudo aperta e o caminho fica denso, sou só eu ali. Eu e tudo que eu conquistei. Nesse momento o que me conforta é olhar em volta e ver tudo que construí sozinha pra mim e percebo que o amor que eu tenho pra me dar sempre será o maior e melhor que eu poderia receber.


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